A vida do centro avante Bulykin

A vida do centro avante Bulykin

Desde o verão europeu passado, Dimitry Bulykin (32) integra a seleção do Ajax. O centro avante russo foi contratado como lançador suplente, no entanto, depois do seu primeiro ano no clube, está convicto de que pode desempenhar papel ainda mais arrojado no time. Bulykin fala do Everton, Wayne Rooeney, voleybal, natação, ADO e AJAX.

Na lanchonete do complexo desportista “Toekomst”(Futuro), o centro avante do Ajax se abre. Fala sobre sua infância em Moscou, onde foi educado num bairro da cidade sob as normas de uma família de moscovitas. Mais destacável ainda é que se tratava de uma família de atletas. Os pais dele eram jogadores profissionais de voleibol, pela associação CSKA de Moscou, vinculados aos militares soviéticos. “Sofri várias sanções do clube durante minha juventude”, afirma Bulykin. “Abandonei o voleibol rapidamente, para a decepção dos meus pais, porém me sentia mais atraído por outros esportes.

Quando tinha dezesseis anos, eu era um dos melhores nadadores da Rússia. Minha especialidade era o estilo nado costas. Porém, quando chegou a hora de me decidir, escolhi o futebol. Gosto de estar em confronto direto com os adversários. Sentia falta deste desafio na natação. Na piscina, a água é o único obstáculo. É o que está entre você e seu objetivo. Porém, isso é um fato que não se pode mudar. Prefiro ter um zagueiro atrás de mim, que eu possa ludibriar de várias maneiras com meus passes.”

Nascido em 1979, Bulykin vivenciou os últimos dias da União Soviética, embora afirme não se lembrar muito daquela época. “Um boa parte daquele período, eu morei na Alemanha, onde meu pai jogava voleibol. Ao mesmo tempo, começava finalmente a me interessar pelo mundo ao meu redor e por volta dos meus dezessete anos, em diante, fui percebendo que a Rússia ia se convertendo no país que conhecemos agora.” Aprendeu o futebol na academia CSKA, porém preferiu iniciar sua carreira fechando um simples contrato com a equipe dos rivais locais Lokomotiv, o clube da Companhia Ferroviária. “Ali eu comecei a jogar no segundo time, porém me deixaram rapidamente jogar para a equipe principal, principalmente nos jogos europeus. Fiz vários gols na Copa da UEFA, despertando assim o interesse de clubes estrangeiros.”


Aos 20 anos de idade, o jovem deu um próximo passo para ficar mais perto de casa. Foi jogar para o terceiro maior time de Moscou, Dinamo, que originalmente representava a polícia russa. “Foi ali que tive minha grande oportunidade. Me tornei o artilheiro da equipe e depois o capitão, o que me garantiu um lugar na seleção nacional.” Como jogador internacional, participou do Campeonato Europeu de 2004, no qual a participação da Rússia se restringiu à primeira fase. Foi, porém, a única equipe que conseguiu derrotar a Grécia por 2 a 0, o time vencedor daquele ano. Naquele jogo, Bulykin fez o segundo gol para a Rússia e já desejava ampliar seus horizontes e tentar a sorte numa competição estrangeira. Vários clubes lhe deram as boas vindas como integrante, entre eles o Everton da Inglaterra. Os solhos de Bulykin se irradiam ao falar daquele período de prova com o segundo clube de Liverpool, onde estreou ao lado do, ainda um diamante em fase de lapidação, Wayne Rooney. Sorrindo, o russo confessa que ainda tem guardado no armário uma camiseta assinada pelo jogador mais comentado da Inglaterra. “É algo que realmente queria naquele momento, jogar na ‘Premier League” da Inglaterra. Foram três semanas tão diferentes do que estava acostumado na Rússia. A diferença é como a noite e o dia.”

No entanto, uma aventura no Everton não estava escrito nas estrelas, já que não conseguiu um visto de trabalho na Inglaterra. O fato de ter participado de algumas partidas internacionais não foi tido como justificativa para o visto. E assim, muitas vezes, as coisas aconteceram, por exemplo, quando o Dinamo, inesperadamente, decidiu aumentar, em cerca de quinhentos mil dólares, o valor concordado anteriormente ou até mesmo pegou o talão de cheques numa tentativa de impedir que o jogador deixasse Moscou. “Fazendo uma restospectiva, teria sido melhor para a minha carreira se tivesse ido para a Inglaterra, ou para outra competição estrangeira, porém não há motivo para me preocupar com isso agora. Afinal, estou feliz com aquilo que o futebol me proporcionou até o momento.”

Esta última afirmação é compreensível. Através da Alemanha e da Bélgica (Anderlecht), o russo concluiu a temporada passada no ADO Den Haag, onde despertou a atenção do Ajax. Com 21 gols, ele marcou um terço dos gols da equipe. Bulykin está consciente de sua de fama de herói na Haia, e o fato de que com um movimento atrevido, perdeu este título ao ser transferido para o Ajax, que não é o time mais popular na Haia. “Naturalmente que estou a par da tensão existente entre os dois clubes, percebi isto de perto na última temporada. Eu respeito o sentimento dos torcedores, porém a vida é minha. Cada um tem que fazer suas escolhas. Eu me decidi pelo Ajax, pelo futebol de nível superior, pelo futebol da UEFA Champions League.”